Projeto Quixote ganha 2ª lugar no Prêmio Dr. Cidadão

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8ª edição do Doutor Cidadão premia quatro projetos de médicos e acadêmicos

InsulinAPP, Projeto Quixote, Aplicativo Elo 21 e Expedição Cirúrgica da FMUSP foram selecionados entre os 43 concorrentes; número de inscritos foi o maior desde o início da ação

“Tenho muito orgulho de conduzir essa premiação de responsabilidade social, e gostaria de agradecer aos participantes por terem nos confiado os seus respectivos projetos nesta avaliação. Em um País como o nosso, com tantas diferenças gritantes, temos o dever de reconhecer as iniciativas de melhorias sociais, além do engajamento natural do médico, de prestar diariamente serviços à população”, declarou a diretora de Responsabilidade Social da Associação Paulista de Medicina, Evangelina de Araujo Vormittag, na abertura da solenidade do Prêmio Doutor Cidadão 2017, realizada na última sexta-feira (27).

A iniciativa da APM, que já está em sua oitava edição, reconhece desde 2004 projetos sociais nas áreas de Saúde, Educação, Assistência Social, Meio Ambiente e Sustentabilidade, idealizados ou executados por médicos e acadêmicos da Medicina. E neste ano, o Prêmio Doutor Cidadão teve um número recorde de inscritos: foram 43 propostas no total, sendo 30 na categoria médicos e 13 na categoria acadêmicos. “Especialmente nesta edição, a concorrência foi muito bonita, porque os trabalhos são excelentes, muito bem feitos e relatados. Embora tivemos de chegar aos finalistas, todos merecem meus parabéns”, acrescentou Evangelina.

O projeto Insulin APP, que tem como responsável o endocrinologista Marcos Tadashi Kakitani Toyoshima, ficou com o primeiro lugar na categoria Médicos (Pessoa Física) e a premiação de R$ 15 mil; seguido do Projeto Quixote, do psiquiatra Auro Danny Lescher, que conquistou o segundo lugar e prêmio de R$ 7 mil. Na categoria acadêmicos, foram premiados os projetos Aplicativo Elo 21, de Angelo Chelotti Duarte (R$ 7,5 mil) e Expedição Cirúrgica da FMUSP, de Yuri Justi Jardim (R$ 3,5 mil).

Representando o presidente da APM, o 2º Diretor de Patrimônio e Finanças, Claudio Alberto Galvão Bueno da Silva, também elogiou os projetos: “Na edição passada, acompanhei de longe o desdobramento das avaliações. Nesta premiação, tive a chance de conhecer um a um os projetos e confesso que fiquei surpreendido pelo empenho e pela qualidade que os nossos colegas de profissão têm nessa área social”.

Para ele, o compromisso de responsabilidade social tem de ser inserido à formação médica. “A nossa função não se resume à automatização na detecção de diagnósticos e na prescrição de receitas e medicamentos. A nossa missão como médicos é de responsabilidade com a população, por isso, essa iniciativa da APM de valorar esses idealizadores é um pequeno embrião que pode crescer muito e transformar realidades.”

Vencedores

“Durante a minha graduação na Faculdade de Medicina da USP, e mesmo durante a residência em Clínica Médica, via que os profissionais tinham grande dificuldade em lidar com pacientes com diabetes nos hospitais. Ao fazer um fellow nos Estados Unidos por dois anos, voltei para o Brasil disposto a montar um grupo de controle glicêmico no Hospital das Clínicas”, recordou o endocrinologista Marcos Tadashi Kakitani Toyoshima, criador do InsulinAPP, aplicativo desenvolvido para facilitar a prescrição médica hospitalar de insulina, especialmente a médicos não habituados ao manejo glicêmico em ambiente hospitalar.

Após diversos desafios enfrentados, como a baixa aderência de médicos ao piloto, a equipe resolveu criar com recursos próprios o aplicativo gratuito, disponível para iOS e Android, também usado em computadores, para acompanhar o paciente com diabetes de sua entrada no hospital até a sua saída, ajustando as doses de insulina com o que há de mais atualizado e preconizado pelos órgãos de Saúde.

“Sabemos que o tratamento de diabetes é muito precário no País. Estudos apontam que nem 20% são atendidos adequadamente, mas percebemos ainda que é uma realidade mundial. Quem sabe espalhamos essa nossa experiência em outros países. Muitos médicos estrangeiros que vieram para cá e conheceram o projeto ficaram maravilhados com a ideia. Conto com a ajuda de vocês para ampliar a divulgação. E parabenizo todos os demais projetos concorrentes desta edição do Prêmio Doutor Cidadão.”

O psiquiatra Auro Danny Lescher, criador do Projeto Quixote, esclareceu que ele atua no atendimento psicossocial, pedagógico e clínico a crianças, jovens e famílias em situação de risco. “Sinto-me muito honrado com o reconhecimento de um trabalho de 21 anos, muito intenso, denso e difícil, que precisa de muita persistência diária para sua continuidade. E ter esse reconhecimento fortalece a nossa resistência das trincheiras. O projeto envolve crianças em situação de rua, em situações dramáticas e vergonhosas que vivemos intensamente no Brasil. Há 20 anos, tinha certeza que 20 anos depois estaríamos em uma situação muito melhor, porque afinal havia muitas organizações interessantes atuando em rede, em sintonia, e também daria tempo para a sociedade melhorar. Agora, sei que a nossa situação piorou, mas a boa notícia é que aprendemos a implantar metodologias efetivas e reconhecidas.”

Acadêmicos

Nesta categoria, ocupou o primeiro lugar o Aplicativo Elo 21, uma ferramenta de gestão da saúde para famílias de pessoas com síndrome de down, idealizado pelo acadêmico Angelo Chelotti Duarte, do 6º ano da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. “Observamos a dificuldade das famílias e dos pacientes para poder administrar não só as consultas agendadas com os diversos especialistas, mas as informações recebidas dos médicos, além da busca de mais conhecimento sobre a síndrome. Pensando nisso, comecei a estudar um pouco de programação, aproveitando experiências adquiridas em outros trabalhos, e desenvolvi o aplicativo”.

Hoje, os pacientes e familiares têm acesso à agenda digital de consulta, separada por especialistas. “O aplicativo avisa também o dia da consulta, sugere data de retorno e serve para colher alguns dados da síndrome de down. Gostaria de agradecer a banca organizadora da APM por esse incentivo e toda a equipe que participou comigo no desenvolvimento do trabalho”, retribuiu Duarte.

Expedição Cirúrgica da FMUSP ficou em segundo lugar na avaliação. O coordenador Yuri Justi Jardim, acadêmico do 4º ano, explica que, como forma de democratizar o atendimento médico, a iniciativa surgiu com a missão de amenizar as disparidades na atenção em saúde existentes nas mais diversas regiões brasileiras, baseando-se em três frentes: assistência, ensino e pesquisa.

“Tivemos a oportunidade de ir a regiões muito pouco assistidas, como o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e a divisa entre Paraná e Paraguai. Dessa forma, os alunos aprendem a exercer a Medicina em locais com pouca infraestrutura. Em cada lugar, plantamos uma semente, ao mostrarmos às pessoas atendidas que há a possibilidade de uma integração maior entre os grandes centros cirúrgicos de São Paulo com as demais regiões brasileiras. Gostaria de agradecer a todos que já contribuíram de alguma forma com o nosso projeto, aos professores da universidade, aos médicos e a todos idealizadores e diretores, e dizer que nos sentimos muito honrados com esse reconhecimento da APM para continuar o nosso trabalho e poder ajudar mais gente”, agradeceu Jardim.

http://associacaopaulistamedicina.org.br/noticia/8a-edicao-do-doutor-cidadao-premia-quatro-projetos-de-medicos-e-academicos